• Cristalwolf Lobazul

Altruísmos e quimeras

“Eu tenho medo. Pois sei que no dia em que eu revelar meu verdadeiro eu, as pessoas vão desaparecer da minha vida.” Eu disse isso há muito tempo atrás para uma pessoa que eu julgava ser um dos meus melhores amigos. E é claro, ele não acreditou. Mas foi o primeiro que partiu quando tudo aconteceu. O primeiro de muitos.

Eu disse isso há muito tempo atrás para uma pessoa que eu julgava ser um dos meus melhores amigos. E é claro, ele não acreditou. Mas foi o primeiro que partiu quando tudo aconteceu. O primeiro de muitos.


Mas afinal, eu sou uma pessoa tão ruim assim? Levei anos para ser quem eu realmente era. E não cheguei chegando mostrando pro mundo minha verdadeira forma, ela simplesmente veio e tomou presença do modo mais natural possível.


Mas afinal, eu sou uma pessoa tão ruim assim?


Eu finalmente compreendi que não é questão de ser bom ou ruim. Bem e mal são relativos e circunstanciais. É questão de agrado. Sim, agrado.


É aquele convite que você recusa. É aquele hobby que você não compactua. É aquele “não” que você diz. É aquela personalidade consistente que te faz único. Se você não agrada quem te rodeia, aos poucos deixa de ser querido. Aos poucos se torna esquecido, se torna irrelevante, desinteressante.


Se torna alvo dos altruístas de plantão que resolvem praticar bondade com você, “doando” fragmentos de seu tempo e de seu humor, escutando você e lhe dando conselhos. Mas que por dentro estão fartos e gostariam de estar em qualquer outro lugar ao invés de estar contigo. Os mesmos altruístas que não se importam se você corta o pulso a noite no meio de uma crise existencial mas que se sentem orgulhosos por te darem palavras vazias de incentivo. Aqueles que põe a cabeça no travesseiro a noite e se sentem grandes heróis.


No final, você percebe que não é tão ruim assim essa exclusão. Que era besteira essa medo de ficar sozinha. Pois da mesma forma que essas pessoas vão embora, surgem outras muito mais interessantes no lugar. Pessoas tão monstruosas quanto você, pessoas de personalidade única que aprenderam que são as diferenças que tornam o mundo belo e intangível.


Sinto pena de quem foi embora, não saudade, não tristeza. Já vão tarde. Sinto pena pois é em nossa verdadeira forma que reside a beleza, o encanto, o enriquecimento e os momentos mais especiais.

Tudo que vem antes não passa de um mero amontoado de acontecimentos, usados para preencher a angústia de ser quem as pessoas desejam que você seja. E se você não toma cuidado, se você não desperta sua verdadeira natureza, aos poucos deixa de existir como si mesmo. Sufoca sua essência pelos outros, torna-se uma quimera: um aglomerado de expectativas de terceiros, sem forma, sem rosto, sem vida.


Se torna o que os outros querem que você seja. E não você.

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